As estrelas brilhavam forte no escuro céu sem nuvens onde a lua cheia completava o quadro. O vento assoviava sua antiga canção. E um vagabundo andava sem rumo pelas ruas desertas da cidade.
Seu andar era despreocupado, seus olhos se perdiam no céu e seus pensamentos estavam embaralhados – talvez por álcool. Dobrando em um beco qualquer que ficava logo após a quarta parede, ele se deparou com um muro. Neste muro havia um luminoso letreiro anunciando “O Teatro Mágico”. A entrada, segundo o anuncio, era apenas para “raros”. Ele não sabia o que aquilo significava, e não queria saber. Aquele não parecia ser o seu lugar.
Deu a volta e andando mais um pouco foi abordado por uma velha senhora. Ela se apiedou da situação do andarilho e ofereceu casa na mansão Canterville, onde morava sozinha. O convite foi gentilmente recusado, pois a estranha atmosfera da casa não agradou em nada.
Após mais andanças ele se viu parado perante uma tal de livraria Sempere; fechada, obviamente. Aquele local parecia bom, mas havia outro homem por ali e a regra era clara. Quem chegava antes ganhava o lugar.
A próxima parada foi dentro de uma antiga construção. Era grande, com muitos quartos e salas, porém um grande incêndio destruiu completamente o lugar. O que outrora fora um internato não passava de escombros e memórias.
Saindo da cidade ainda se deparou com um hospício destruído. O local era muito bem cercado e protegido, porém por dentro as condições eram péssimas. Havia tanta sujeira e desordem que tornava difícil acreditar que alguém poderia viver ali.
Não tendo se decidido por lugar algum para ficar, o giramundo pegou a estrada de tijolos e seguiu para além do arco-iris, tentando chegar em casa.