Sobre Erros Banais

Augusto estava se preparando para uma festa a fantasia. Grande parte da cidade montara um cenário para se passar pelos anos 20, todos iriam caracterizados, seria um evento memorável. Alguns iriam para lá com carros antigos, outros até de bicicleta. Augusto se teletransportaria para o meio da praça simplesmente porque ele podia. Entrou na sua máquina, programou as coordenadas e ouviu o estalo comum do aparelho.

Logo estava no meio da praça, com carros antigos circulando, roupas antigas sendo usadas e todos os que estavam na praça gritando desesperados e orando por proteção, fingindo que nunca haviam visto um teletransporte antes. Todos estavam no clima. Observou os carros, as roupas, pelo visto resolveram fingir que ainda não haviam chego em vinte e nove. Mesmo com a tensão do tempo entre-guerras a crise financeira ainda não havia feito a população sair pulando dos prédios. Tentou conversar com alguém na praça, estavam falando da semana de arte moderna. E o melhor, com expressões da época! A Festa estava sendo um sucesso. Exceto que… não havia festa. Talvez fosse começar mais tarde, mas até o momento todos apenas simulavam estar vivendo tranquilamente.

Continuou por aí, meio deslocado, seus amigos não apareciam nunca. Encontrou então um salão onde se ouvia música. Era um jazz animado, uma espécie de baile típico. Entrou animado, e se surpreendeu mais ainda. Todos dançavam animados, sabendo a coreografia, as mulheres sentavam e esperavam que um novo parceiro aparecesse. Augusto dançou uma ou duas músicas, mas as mulheres eram extremamente difíceis, fazendo com que logo desistisse.

Tudo estava muito estranho, as pessoas pareciam estar se divertindo, mas algo estava errado. Elas estavam levando tudo a sério demais! Aquilo não era divertido e nem saudável. Indignado com a situação Augusto resolveu que era hora de voltar pra casa. Andou, andou, andou e o cenário não acabava. Aquilo era um absurdo, eles não podiam ter mudado a cidade inteira. Inclusive sua casa. Perambulou por horas e horas, refletindo sobre o que poderia ter acontecido afinal. Quando, de repente, percebeu o que se passava.

Acontece com todo mundo: Um dia você entra na sua máquina de teletransporte, mas troca as bolas e acaba voltando no tempo.

Percebendo seu engano, Augusto exclamou espantado:

– Ora, bolas!

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Uma resposta to “Sobre Erros Banais”

  1. Débora Says:

    Uma dessas seria útil. Faria com que não tivessem colocado exclusivamente estagiários pra trabalhar no FFX-2. Gostei do conto. 🙂

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