Sobre Fragmentos de Diário

E então aconteceu, não? O último ser humano perdeu seu cargo. Somos, oficialmente, a raça inferior. Temos pouco tempo antes de nos tornarmos estorvo e sermos destruídos. Expulsos do nosso próprio planeta pela nossa própria criação.

Tudo começou tão simples, um telefone, um carro, um computador, inteligencia artificial. De repente o milagre da robótica! Os robôs poderiam trabalhar no lugar dos humanos, que aproveitariam o descanso. Há! Até parece. Os gênios que contratavam robôs deixavam de pagar os humanos. Brilhante, lindo! Logo a sociedade foi se dividindo novamente. Não entre ricos e pobres, mas entre milionários e miseráveis. Sem meio termo.

Eu já sabia que nosso sistema econômico era falho, mas não esperava tanto. Com a evolução da inteligência robótica os cargos públicos passaram a ser ocupados por robôs também. E hoje aconteceu: Um robô é o novo presidente.

As leis que ainda não estavam adaptadas logo estarão. Tenho medo dos resultados disso. Me cheira a guerra civil. E se você, estranho, encontrou meu diário, pode ter certeza: Minhas pernas mecânicas estão sem bateria, estou imobilizada e completamente entediada.

–//–

Falei com a Jéssica hoje. Ela recarregou minhas pernas. Quase briguei com ela, queria cortar meu cabelo de novo. Minha aparência é tudo o que me resta de humana. Tenho medo de me tornar mais máquina ainda. Conversei com ela sobre uma possível guerra. Ela riu e me chamou de cega. Não sei bem que o que ela quis dizer com isso. As vezes ela me confunde, me diz coisas enigmáticas demais.

Achar comida também está difícil. As vezes me pergunto se eu teria sobrevivido sem essas pernas mecânicas, porque apenas a força delas me mantem caminhando. Mas eu não pretendo desistir. Eu não quero desistir.

–//–

Finalmente entendo o que Jéssica quis dizer. Estava por toda parte, como eu não vi? O “biogrupo”, apesar do nome horrível, já age às escondidas há um bom tempo. Talvez anos. Aparentemente estocam comida,destroem fábricas e arrumam armas. Estão planejando uma guerra.

Consegui encontrá-los sem muito esforço, sua base exala um cheiro forte de comida. Boa tática, tendo em vista que robôs não sentem cheiro algum. Jéssica estava lá quando cheguei, não foi a única a implicar com meu cabelo. Aparentemente atrapalha os movimentos de guerrilha. Talvez eu corte mesmo. Talvez.

Todos do grupo parecem ser boas pessoas. Me contaram boas histórias dos velhos tempos. Um açougueiro, um vendedor, um operário. São boas pessoas, mas estão determinados. A grande guerra está quase pronta para eclodir. Confesso que tenho medo.

–//–

É hoje.

Fim do Manuscrito Original.

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2 Respostas to “Sobre Fragmentos de Diário”

  1. Débora Says:

    Imagino como deve ser o cabelo da garota.

  2. Mikaellis Says:

    Não duvido muito. Mesmo isso sendo profetizado de várias maneiras diferentes, as pessoas parecem cegas, mas talvez de outro jeito…

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