Sobre Solidão

Ernesto acordou ao som de seu despertador. Sete da manhã e ele precisava trabalhar. Por morar sozinho as suas manhãs seguiam sempre o mesmo padrão de banho, comida e rua. Nada de extraordinário ocorreu durante o banho ou sua refeição matinal, exceto por um incomum silêncio.

Ao colocar o pé para fora de casa é que Ernesto se deu conta do absurdo. A cidade simplesmente estava vazia. Nenhuma viva alma na rua. Sequer uma alma morta arrastando correntes. Nada.

A principio Ernesto pensou que acordara cedo demais, mas nem os relógios e nem o sol concordavam com ele. Sem saber o que se passava, ele começou a ir em direção ao trabalho.

Morar perto sempre foi uma vantagem. Nem dez minutos eram necessários para vencer o trajeto de poucas quadras. Além do mais ele conheceu muitas pessoas nesse pequeno trajeto. Diariamente cumprimentava os mesmos trabalhadores abrindo as mesmas lojas, e, geralmente até os pedestres eram os mesmos.

Mas nesse dia não havia nada disso. A palavra “vazio” seria muito bem empregada, embora “deserto” também ajudasse. Muito estranho. Até porque as segundas-feiras costumavam ser agitadas. Logo as engrenagens começaram a rodar na cabeça do jovem Ernesto. Ele chamou um nome e apenas o eco lhe respondeu.

Correu até a empresa e confirmou sua teoria, ela estava fechada. Nenhum aviso. Nenhum funcionário. Andou por mais algumas ruas e percebeu que estava só. A conclusão disso tudo era óbvia: A humanidade havia desaparecido.

Sendo ele o único ser humano existente no planeta, Ernesto fez o que qualquer um faria. Primeiramente retirou a gravata, nunca mais usaria aquele incômodo. Desabotoou um pouco a camisa e foi procurar uma revendedora de carros. Se quisesse montar a casa dos seus sonhos para desfrutar um pouco a liberdade antes de procurar os seres humanos ele precisaria de um veículo.

Encontrou uma revendedora e, sem a menor cerimonia, atirou uma lata de lixo contra o vidro, abrindo assim sua passagem. O alarme disparou, mas isso não preocupava Ernesto, o último ser humano do planeta. Foi logo para o balcão procurar as chaves dos carros e escolher os modelos. Levou alguns minutos nessa tarefa.

Neste meio tempo a polícia entrou no lugar e o prendeu. Nem eles entenderam direito o que acontecia por lá. Após o feriado da sexta-feira aquele domingo já começava mal…

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