Sobre Batidas e Besouros Para Ninguém

O sol nascia ao longe, entrando pelas frestas da janela mal fechada. Uma terrível dor de cabeça confundia ainda mais as frases desconexas que insistiam em voltar da noite anterior. Ele permaneceu deitado, enquanto ela se dirigia lentamente ao banheiro; na sua própria casa, do outro lado da cidade. Suas mãos não borraram a maquiagem, embora uma lágrima tenha escapado. Uma lágrima para ninguém.

Ele levantou, coçou a cabeça e olhou pela janela. Pensava nela, nos seus braços, seu cheiro, seus olhos. Ela não estava falando sério. Ela voltaria para ele, só precisava de um tempo. Ela precisava dele. Mas ela preparava um café, com o olhar perdido. Outra lágrima escorregou, embora não houvesse motivos para isso. O amor que deveria ter durado anos estava morto.

Pela janela ele pôde vê-la passar. Ele liga, ela atende. Ela fala rápido e é bem direta: A pessoa que ela conheceu não está mais lá. Ela não precisa dele.

O sol nascente piorava a dor de cabeça. Ele ainda não sabia, mas aquelas palavras ecoariam por muito tempo em suas memórias mais profundas. Ele não a esqueceria.

No ônibus ela deixava outra lágrima cair ao ouvir o refrão da música que tocava. Nenhum sinal de amor atrás das lágrimas choradas por ninguém. Um amor que deveria ter durado anos.

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